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GURIAS!

Tuesday, July 10th, 2007 by Debora Pogorelsky

“Nossa quem de nós já não riu, alguma vez quando ouviu nossas mães, tias e porque não as avós, chamarem umas as outras de GURIAS? Quando a gente ria, era porque nos achávamos – de fato – gurias e quanto a elas, bem, elas eram mulheres… mães, profissionais, tias, avós, mas nós éramos GURIAS. Gurias que estudavam, saiam pra passear, pensavam nos namorados, em namorados, ficavam horas com as amigas ao telefone, enlouqueciam para ir à balada da moda. Mas as nossas mulheres eram diferentes, elas tinham maridos, não namorados, elas tinham que cuidar da casa e de nós, tinham trabalho e não colégio, tinham eventos sociais, não festas ou baladas em danceterias… sei lá, eram pessoas com muitas responsabilidades, muitos saberes…muitos papéis sociais. Como elas podiam pensar que eram GURIAS? 15 ou 20 anos não é muito? Bom, mas foi o tempo necessário que eu precisei pra me tornar uma GURIA, uma guria mulher. Hoje tenho marido, cachorro, trabalho, faculdade, trabalho, pessoas que dependem diretamente de mim e das minhas atitudes, ampliei meus papeis sócias, não tenho mais mesada, agora é salário!! Ainda preciso pintar cabelo, fazer ginástica, depilação!!! Ufa!!! Mas sabe o que é melhor?? Descobri o porque que a minha mãe chamava e chama suas amigas mulheres de GURIAS. Descobri que mesmo crescendo e nos tornando mulheres a vida, por ser dinâmica, continua nos deixando cheias de dúvidas em relação ao futuro. Como será? O que temos que fazer pra melhorar as nossas relações com amigos, família, amor, filhos, trabalho? Como fazer pra mantermos o que já conquistamos e o que fazer para ainda alcançar outros sonhos e objetivos? O que faremos para deixar o nosso planeta melhor? As dúvidas ainda existem, a insegurança ainda faz parte, as surpresas… são diárias. Nada que 10, 15 ou 20 anos nos torne tão distantes umas das outras. Não temos um ponto onde chegar, uma linha de tempo a cruzar. É por isso, GURIAS, que hoje eu lhes digo que fomos, somos e seremos sempre GURIAS. Agora eu entendi a roda viva. Por Graziela Chazan”

Mantendo a Capacidade de Indignação!!!

Thursday, July 5th, 2007 by Debora Pogorelsky

É com muito prazer e satisfação que abro este espaço para uma grande amiga, colega, afilhada, Graziela Chazan.

A partir de hoje, teremos semanalmente um artigo dela para lermos.

Bem, vamos lá:

“Não, não irei falar sobre a falta de vergonha na cara de nossos políticos, isso já está comum…não vende mais jornal, não dá mais Ibope… nos acostumamos com a pouca-vergonha!! É ai que mora o problema: nós não podemos nos acostumar com isso, já basta que em algum momento nos acostumamos a ver pessoas dormindo nas ruas, vasculhando nos lixos em busca de comida, a ver famílias morando debaixo das pontes (hoje não há mais vagas nas pontes ou viadutos, sabiam?), nos acostumamos a pagar por planos de saúde privados porque mesmo tendo o desconto obrigatório na folha de pagamento, não possuímos acesso aos serviços públicos, também nos acostumamos a pagar previdência privada, pois mesmo tendo contribuído toda a vida para a previdência sócia, com 11% de nosso salário, também não podemos contar com essa aposentadoria. A culpa deste novo fato? Ah, o país ter envelhecido e não ter como sustentar os idosos, que “oneram” o sistema previdenciário. A culpa é dos velhos. Também nos acostumamos a colocar as crianças em escolas particulares, afinal, as públicas mal e mal tem professores. Bem, hoje em dia ter segurança privada, e quase como uma pseudo-garantia de que não sofreremos com a violência a nossa porta, eu disse pseudo!

Agora mais essa: o deputado federal e ex-ministro da fazenda, furando a fila interminável do aeroporto internacional de São Paulo, para pegar seu vôo. Claro! ele não poderia ser “uma pessoa comum”. Para mim isso não é surpresa, não me causa mais espantos nenhum ato que qualquer um de nossos governantes tenham. O que me deixa indignada é que em primeiro lugar, nós elegemos essas pessoas como representantes de nossas expectativas governamentais, e mesmo vendo escândalos que envolvam seus nomes, mesmo assim os elegemos. Mas isso também não é novidade, e aquele ditado que diz que “cada povo tem o governante que merece” no nosso caso cai muito bem. Mas o que não posso acreditar é que as pessoas que estavam presentes lá no aeroporto, naquele momento tenham permitido que este senhor agisse desta maneira sem ter, pelo menos reivindicado e descoberto, mesmo por curiosidade o que ele tem de diferente de todos aqueles que lá esperavam, a não ser algum poder para fazer com que não fiquemos mais nas filas de aeroportos. Sim, porque sou capaz de apostar que ali, ele era a única pessoa com algum alcance para mudar essa situação calamitosa que vivemos no setor aéreo. Mas não, “os comuns” que lá estavam não permitiram que o Sr. Palocci sentisse na pele um tantinho assim de como é ser brasileiro. Por favor! Eu suplico a você que resgate a sua capacidade de indignação, não se acostume com essas situações, aja, reaja, não seja vitima de sua inércia. Por Graziela Chazan”